Em meados dos anos 90, o Samba sofreu uma drástica mudança. Após anos com um estilo de grupos e composições feitas de uma forma mais clássica, atualmente o que se vê, é um modelo de "boy band" adaptado para o samba.
A Indústria Cultural forçou a mudança, pois, percebeu que o pagode e o samba começaram a ganhar mais espaço entre as classes mais elitizadas do país. Até o início da década de 90 os grupos adotavam um estilo de cantar em coro (sem a imagem de um vocalista principal), e canções compostas com temas mais ligados a um público específico, e talvez por isso o estilo era tido com muito preconceito pelas classes mais ricas.
Essa mudança também ocorreu com os instrumentos que eram utilizados pelas grupos. Hoje em dia alguns efeitos mais eletronicos, instrumentos de percussão que são mais fáceis de tocar substituem os da geração antiga.
A explicação mais plausível que eu encontro para esta drástica mudança é a necessidade do mercado musical de fomentar uma nova geração de consumidores da musica Samba. Velha conhecida, a Indústria Cultural "forçou" essa mudança de uma forma violenta. O público mudou, os grupos mudaram, agora os grupos tem mais musicos vindo de uma classe social privilegiada e com um estilo mais "pop" de fazer show. Roda de samba virou privilégio para os amantes do samba de raíz.
A forte imagem de um vocalista representando um grupo faz com que muitas vezes, eu diria sempre, o nome da banda seja ligado rapidamente ao seu vocalista. Isto faz com que um produto seja vendido com aquela imagem, um rosto "principal". Tudo isso pode servir de explicação para mudança tão bruta no mundo samba, principalmente em São Paulo.
Baladas que tempos atrás só tocavam tecno,Black,até mesmo as casas de bandas Pop se renderam ao novo mercado do samba. Que leva para lugares com baladas reconhecidamente para Mauricinhos e Patricinhas, acolham ao menos um dia da semana para show de samba ao vivo. Para se manter muito grupos tiveram que se adaptar ao novo mercado fonográfico, a mudança de maior sucesso foi a do Exaltasamba, os rapazes de São Bernardo do Campo (SP) tem como carro chefe o seu recente vocalista,Thiaguinho, que saiu do Programa de calouros da TV Globo "Fama" para o sucesso no exalta. Talvez o único grupo que tenha vivido as diferentes fases da indústria fonográfica, sem preder a qualidade.
O modo de compor, os temas, as letras, as musicas, estão mais voltadas para o amor,romance, história tristes de relacionamento e por ai vai. A concorrência nesse mercado é cada vez maior, cada dia aparece um grupo fazendo samba ou pagode como preferir, o que dificulta ainda mais a poermanência de um estilo mais de raíz. O que mais me "dói" é ir há uma balada na Vila Olímpia ver um show de samba e me deparar com bandas rotuladas como grupo de pagode, tocando micareta e usando instrumentos como guitarra, e outros. nada contra as micaretas ou as guitarras, Mas se eu quiser ir há uma micareta eu compro um abadá e não uma entrada para curtir um samba.
No mercado existe lugar para todos, mas algumas misturas são inaceitáveis ao menos para um amante do bom e velho samba como eu. talves o "Samba pra vender" esteja esquecendo o principal, a qualidade. Mas existe o lado bom e eu consigo sin enchergá-lo. O preconceito quanto ao estilo musical que era taxado com musica de "pobre" pela elite, hoje é consumida pelos próprios, e isso é muito bom para uma sociedade mais homogênea. Viva o SAMBA!
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