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12/01/2008

Bastidores de um Hospital Público

Por Felipe Ananias


Alguns meses de trabalho em um Hospital regional na grande São Paulo, me fez refletir muito. Talvez, nós, ao ler matérias, ver reportagens na TV, sobre o sistema de saúde do nosso país, não damos tanta importância. Mas deveríamos. Além de todos os problemas que já conhecemos bem, existe na rede pública de saúde um outro problema que infelizmente não prestamos atenção e as autoridades não tomam providências, até por falta de respaldo para isso.
Enfim, meu dever era de “acolher” os usuários do Hospital, com informações, auxilio para ir há algum departamento, coisas desse tipo. Enquanto tentava auxiliar os pacientes, na sua maioria idosos e com um grau de escolaridade muito baixo, notava os funcionários. Percebia nos enfermeiros uma sedenta vontade de fumar, e sempre que era possível, dirigiam-se a entrada de emergência e fumavam normalmente, bem na entrada em que as pessoas necessitadas de atendimento urgente passavam.
Também pude notar a falta de preparo dos atendentes, na sua maioria mulheres com idade mais do que suficiente para se aposentar. Irritadas e sem qualquer preocupação com as pessoas, com o ser humano, gritavam, falavam mal, atendiam com má vontade, e assim meus dias forma cada vez mais voltados para esses fatos. Logo percebi que precisar de atendimento em Hospital público, não era aconselhável. Claro, eu sabia, os que estavam ali não tinham outra opção.
Infelizmente não vejo uma melhora instantânea na saúde do país, mas será mais difícil ainda se continuarmos ignorando que pessoas que já deveriam estar aposentadas, ou serem mais bem preparadas para o dia-a-dia de um hospital, continuem destratando pessoas, que não vão ao hospital por puro prazer, e sim por necessidade. É certo que algumas pessoas desinformadas, ao invés de ir há um posto de saúde próximo a sua casa, vão ao Hospital que tem outros casos específicos e urgentes para cuidar.
Vamos falar dos médicos – Os “salvadores” que estudaram cinco ou mais anos para exercerem a profissão e contribuir com a sociedade. Muitos com aquela soberba que lhes são característica, mas desgastados de tanto trabalho acumulado por pura falta de organização para a classe médica. Muitos eu diria irresponsáveis, pois em um hospital com apenas três médicos atendendo, os mesmos se ausentam para almoçarem juntos? Dificulta muito a vida de quem necessita de ir ao médico. E a espera em filas intermináveis, aumenta a irá das pessoas e essa bola de neve é finalizada com muita confusão. Bom, algumas pessoas acham que médico não tem direito de almoçar e perguntam se “médico sente fome”, e assim vai...

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